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Impacto no Caixa

Split Payment em Farmácias

O que muda no caixa de farmácias e drogarias quando o imposto for separado automaticamente em cada cartão, Pix e venda por convênio.

Q&M Consultoria · Tributação Farmacêutica

Se você tem uma farmácia ou drogaria, a Reforma Tributária já tem uma data marcada para mudar a forma como o dinheiro entra no seu negócio. Não é amanhã, mas o impacto no caixa é real e começa antes do que parece.

O que é o Split Payment

Hoje, quando você faz uma venda no balcão da farmácia, recebe o valor integral e recolhe o imposto algumas semanas depois. Com o Split Payment, essa lógica muda: parte do valor pago pelo cliente é automaticamente separada e enviada ao governo no momento da liquidação financeira.

Na prática: no exato momento em que o cliente passa o cartão, o convênio aprova a venda ou o Pix é confirmado, o sistema bancário ou a credenciadora consulta a base de dados do Fisco e separa automaticamente a parcela referente ao imposto. Esse valor vai direto para os cofres públicos, enquanto na conta da farmácia cai apenas o valor líquido da operação.

O dinheiro do imposto para de transitar pelo seu caixa. Simples assim.

Quem é afetado no setor farmacêutico

O Split Payment será obrigatório no varejo e incide sobre qualquer operação de venda sujeita ao IBS e à CBS. Para farmácias, isso inclui:

Se a sua farmácia recebe por meios eletrônicos — cartão, Pix, boleto, convênio — será afetada.

O impacto direto no caixa

Esse é o ponto que mais importa para quem opera uma farmácia.

Antes do Split Payment, havia um intervalo entre o recebimento e o recolhimento do tributo, o que permitia gestão de prazos e, em muitos casos, uso desse valor como capital de giro. Com o novo modelo, o valor do tributo não compõe mais o saldo bancário da empresa e não há possibilidade de postergação do recolhimento.

Para farmácias, que tipicamente operam com margens apertadas em medicamentos e dependem do giro alto de estoque para fechar o resultado, isso representa uma mudança concreta na disponibilidade de caixa.

O problema fica maior em vendas a prazo. Vendas via convênio e PBM, que costumam ser pagas em 30, 45 ou 60 dias, ficam especialmente sensíveis: o fornecedor pode pagar IBS e CBS já no mês seguinte, enquanto o recebimento do convênio só entra meses depois. Esse descompasso comprime o capital de giro de farmácias menores.

Quando entra em vigor

A implantação do Split Payment está prevista para ocorrer a partir de 2027. Em 2026, não há exigência de preenchimento dos campos relativos ao Split Payment. A Nota Técnica publicada tem caráter preparatório para permitir que sistemas tributários, emissores de documentos fiscais e demais atores possam planejar, desenvolver e testar as adaptações necessárias.

2026 é o ano de teste. 2027 é quando o impacto começa de fato.

O que muda na nota fiscal

Serão criados campos específicos na NF-e e no SAT/CF-e para identificar e discriminar as parcelas tributárias de IBS e CBS, conforme o leiaute da Nota Técnica 2025.002-RTC. A operacionalização ocorre via integração direta entre sistemas bancários e de pagamentos eletrônicos com o Comitê Gestor do IBS e a Receita Federal para a CBS.

Para farmácias com PDV integrado, ERP de varejo e emissor fiscal, todos os sistemas precisam estar adaptados antes de 2027. Vale checar agora com o fornecedor do seu sistema o roadmap de adequação.

O que não muda: o direito aos créditos tributários

Uma das compensações do novo modelo é que o Split Payment nas operações de aquisição garante o crédito de forma mais rápida, já que o crédito só é liberado quando o imposto é pago.

Para farmácia, isso pode ser positivo: quem compra de distribuidoras dentro do novo sistema passa a ter acesso mais ágil aos créditos de IBS e CBS sobre as compras. Empresas com gestão tributária inteligente conseguem neutralizar ou até reduzir o impacto por meio de recuperação de créditos, reclassificações e planejamento técnico.

O que fazer agora

O primeiro passo da preparação é calcular quanto do capital de giro atual depende do float tributário. Se a farmácia usa o intervalo entre receber e pagar o imposto para financiar compra de estoque, precisa saber exatamente quanto isso representa em reais por mês.

Para farmácias, isso significa:

Quem fizer esse diagnóstico em 2026 chega em 2027 sem surpresa. Quem ignorar vai sentir no fechamento do primeiro mês.

Antes de sair daqui

O Split Payment não é uma ameaça para quem está preparado. É uma mudança de regra do jogo que vai separar as farmácias que entendem o próprio caixa das que operam no improviso.

Se você ainda não mapeou como o fluxo tributário da sua farmácia funciona hoje e o que muda com a nova regra, esse é o ponto de partida. O diagnóstico tributário responde exatamente isso, com os números do seu negócio.

Calcule o impacto do Split Payment na sua farmácia

Entenda quanto do seu capital de giro depende do float tributário antes de 2027.